O tempo do Samba

Dilmar S. Miranda

Resumo


Este artigo tem um cenário e um tempo bem precisos: o Rio de Janeiro, da virada do século XX aos anos 30, onde e quando alguns gêneros da moderna MPB, de origem afro, se fixam, sobretudo o moderno samba urbano, a contragosto das elites republicano-burguesas, que buscam o modo de vida calcado na belle époque européia. Partindo de pensadores que instigam uma rica reflexão sobre a noção de multitemporalidade, fruto dos múltiplos instantes de nossas vidas, o artigo considera como tal noção se inscreve nas culturas musicais de certos povos, a ex. dos afro-negros, cujo tempo musical é marcado por intensa polirritmia. A síncope, traço essencial do samba surgido em fins dos anos 20, espécie de pulsação rítmica residual dessa polirritmia, é um índice sígnico do tempo histórico da cultura musical negra que dele se utiliza para publicizar suas festivas manifestações, como o carnaval, após logo período de interdições.

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